domingo, 17 de janeiro de 2010

CARA E CULTURA NEGRA, eu fui

2008


                                                                                     Foto arquivo Babilak Bah


Um olhar sobre a cidade

Vir à Brasília é sempre uma renovação, é visitar um Brasil sonhado.


Aqui, neste território enigmático, em minha tenra juventude tive as minhas primeiras experiências com poesia vendida nos bares e entendi que meu destino pertencia ao universo da cultura.


Vir a Brasília para mim é um desafio e uma ação reveladora; sempre tenho a sensação que estou em um museu a céu aberto: museu de monumentos e de pessoas...e que céu lindo tem esta cidade!


Sabendo que debaixo dos céus mora as contradições e a capital federal não ficaria imune às mesmas diferenças que contrariam o mundo, machucam e dividem os homens que habitam quadras e inúmeros satélites com seus moradores tão distintos e diversificados fazendo deste lugar uma beleza rara e tão cara para seus habitantes: são arvores tortas na cultura do cerrado.


Vir a Brasília mais uma vez difundir a estética da enxada nos traçados de Niemayer é algo simbólico e altamente gratificante, sem falar da importância de estar dentro de um projeto|festival que reúne a diversidade de expressões da estética negra. "Brasília está desperta, pulsa, palpita, lateja" com a realização do Cara e Cultura Negra e com isto a sociedade ganha um espaço de reflexão e se alia às idéias da diáspora africana espalhada pelas Américas fomentando o debate, o conhecimento e a produção cultural do Brasil contemporâneo que grita por igualdade e justiça social, nos abrem portas para o futuro e para o entendimento e amplia discussão de uma sociedade inclusiva e melhor.


Voltar a Brasília é engolir a cidade pelos os olhos e sorver as distorções pela retina vislumbrando vertigem e esperança...


Babilak Bah –setembro de 2008




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