segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Obama revela o retrato presidencial oficial por Kehinde Wiley

O artista já pintou Notorious BIG, LL Cool J, Grandmaster Flash e mais


No outono passado, foi anunciado que Barack Obama havia selecionado Kehinde Wiley para pintar seu retrato presidencial oficial, para ser exibido na Galeria Nacional de Retratos do Smithsonian em Washington, DC. As matérias anteriores de Wiley incluíram figuras de música, como Notorious BIG, LL Cool J, Grandmaster Flash e The Furious Five, Michael Jackson e muito mais. No início de hoje, o retrato de Wiley do 44º Presidente dos Estados Unidos foi oficialmente revelado durante uma cerimônia em que participaram Barack e Michelle Obama, realizadas na National Portrait Gallery.
"Tentei negociar menos cabelos grisalhos e a integridade artística de Kehinde não permitiria que ele fizesse o que eu pedi", brincou Obama. "Eu tentei negociar orelhas menores. Impressionado com isso também. "O retrato oficial de Michelle Obama também foi revelado, pintado por Amy Sherald. Encontre aqueles abaixo e veja também o vídeo da cerimônia de inauguração.
       fonte   https://pitchfork.com/news/obama-unveils-official-presidential-portrait-by-kehinde-wiley/

KEHINDE WILEY


   Kehinde Wiley: uma nova república no Seattle Art Museum


Trabalhando exclusivamente como retratista, Kehinde Wiley combina formatos e motivos tradicionais com modos modernos de representação. Selecionando obras de antigos mestres como Peter Paul Rubensou Jacques-Louis David, Wiley substitui as figuras históricas por homens negros e bonitos. 

Na série "World Stage" em andamento, as figuras heróicas de Wiley são retratadas na frente de padrões de fundo coloridos que fazem referência específica a têxteis e padrões decorativos de várias culturas, desde os cortes de papel da Judaica do século XIX até as amostras de cores interiores de Martha Stewart. A propensão de Wiley para juxtaposições prejudiciais decorre de seu desejo de complicar noções de identidade grupal. 

"Como podemos ... ultrapassar os estereótipos da mídia sobre a identidade nacional?", Disse ele. "Eu realmente não penso em mim como um jovem gay americano negro, nem interfiro com meus amigos brasileiros, mexicanos ou judeus desse jeito".

fonte  https://www.artsy.net/artwork/kehinde-wiley-morpheus

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

SAMBA DE RODA

SAMBA DE RODA, PATRIMONIO IMATERIAL DA HUMANIDADE
Por Geraldo Gurgel

O Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, de acordo com a UNESCO, órgão das Nações Unidas, compreende as expressões de vida e tradições que comunidades, grupos e indivíduos em todo o mundo recebem de seus ancestrais e repassam a seus descendentes. No Brasil, 38 manifestações culturais imateriais já foram reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Destas, cinco estão inscritas na UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. São saberes, celebrações e formas de expressões. O samba de roda é uma delas. 


   Foto: Luis Santos

Samba de Roda - No Recôncavo Baiano é uma expressão musical, coreográfica, poética e festiva das mais importantes da cultura brasileira. Exerceu influência no samba carioca e, até hoje, é uma das referências do samba nacional. Está presente em toda a Bahia, principalmente no Recôncavo, o entorno da Baía de Todos os Santos. A herança negro-africana no samba de roda se mesclou de maneira singular a traços culturais trazidos pelos portugueses (principalmente viola e pandeiro) e à própria língua portuguesa nos elementos de suas formas poéticas. 


O SAMBA




O samba
Gênero musical binário, que representa a própria identidade musical brasileira. De nítida influência africana, o samba nasceu nas casas de baianas que emigraram para o Rio de Janeiro no princípio do século. O primeiro samba gravado foi Pelo telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, em 1917. Inicialmente vinculado ao carnaval, com o passar do tempo o samba ganhou espaço próprio. A consolidação de seu estilo verifica-se no final dos anos 20, quando desponta a geração do Estácio, fundadora da primeira escola de samba. Grande tronco da MPB, o samba gerou derivados, como o samba-canção, o samba-de-breque, o samba-enredo e, inclusive, a bossa nova.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Qual foi a importância histórica das mulheres negras no samba?

   Qual foi a importância histórica  das mulheres negras no samba?

O samba é o ritmo símbolo de resistência da cultura negra. E as mulheres negras foram essenciais para que ele pudesse seguir existindo no período pós-escravidão. Se não fosse por elas, o samba não existiria hoje.

A origem do samba no Brasil é incerta. Mas todas as possíveis explicações apontam que as raízes do gênero estão na África e foram trazidas pelos negros escravos no período colonial brasileiro.
No entanto, pouco tempo após seu surgimento, o ritmo esteve ameaçado de extinção. Não muito depois da abolição da escravatura, foi sancionada a Lei da Vadiagem (1941), que considerava ociosidade como crime e permitia a prisão de pessoas que andassem nas ruas sem documentos.

Isso afetava diretamente os homens negros que estavam desempregados, muitas vezes sem teto e sem nenhuma possibilidade de serem contratados devido ao forte preconceito racial da época.

Kelly Adriano de Oliveira, doutora em ciências sociais pela Unicamp, afirma que tanto as mulheres quanto a religiosidade afro-brasileira tiveram um grande papel para que o samba conseguisse resistir, porque era dentro dos terreiros das casas das tias baianas -- cujo símbolo ficou marcado em Tia Ciata --, no espaço privado e escondido, que o samba podia acontecer.

Não à toa, a valorização da ala das baianas nas escolas de samba é uma forma de homenagear não apenas Tia Ciata, mas a memória de todas as tias baianas do samba.

Mulheres pioneiras na história do samba

A antropóloga conta que apenas depois da década de 30 o samba passou a ser aceito como cultura popular, reforçado por Getúlio Vargas “com o movimento de valorização do que era brasileiro, o que faz o Brasil o Brasil, e a tentativa de incorporar uma falsa democracia racial, de um país que supostamente aceita sua negritude e suas raízes”.

Um marco feminino dentro na história do samba, em meio toda essa imensa dificuldade, é a Madrinha Eunice, uma mulher cuja memória de luta é imensurável. “Ela foi a primeira mulher a presidir uma escola de samba, a Lavapés de São Paulo, que surgiu na verdade mais como um cordão carnavalesco”, contextualiza Kelly.

Porém, só mesmo depois da década de 60 que mulheres puderam ter alguma visibilidade dentro do espectro musical do samba e aí começam a surgir nomes vindos do Rio de Janeiro, como Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara – a segunda que é, na opinião de Kelly, o principal símbolo desse contexto.

O papel das intérpretes para a difusão e popularização do samba, principalmente Clara Nunes -- com pele clara, mas ascendência negra --, Alcione, Leci Brandão e Beth Carvalho, que amadrinhou muitos sambistas, também foi essencial para a cultura musical brasileira.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A HISTORIA DO SAMBA



BRASIL / ÁFRICA

A HISTÓRIA DO SAMBA: UNINDO BRASILEIROS E AFRICANOS                                      
por Gláucia Quênia
aFREAKA           





                                                                                                         "Mesmo com o passar do tempo, o samba não deixa dúvidas da relação entre o Brasil e a África. Desde sua origem até hoje, brasileiros e africanos procuram enfatizar a semelhança que os dois têm quando o assunto é samba. Os dois continentes irmãos trabalharam juntos para terem hoje, em suas culturas, um dos gêneros mais apreciados pelo mundo, transformando o samba em um símbolo da cultura afro-brasileira.

Explicações são o que não faltam sobre a origem do termo “samba”. Enquanto uma linha de pesquisa afirma que o termo nasceu da língua árabe, sendo no início “zambra” ou “zamba”; outros afirmam que é originário de uma das diversas línguas africanas existentes, o quimbundo. Neste caso, morfologicamente, “sam” significa “dar” e “ba” significa “receber”, ou então, “coisa que cai”. Há, ainda, uma terceira versão, que afirma que o termo é de procedência angolana ou congolesa, que conta com a grafia “semba” (umbigada). Versão, que no Brasil, é a levada mais a sério.

Considerado uma manifestação popular africana, o samba é estimado como um ritmo urbano característico do Rio de Janeiro, cidade capital do Brasil colônia. As primeiras canções do gênero foram associadas ao Carnaval, elas eram marchinhas arranjadas por compositores de peso, como Heitor Prazeres, Pixinguinha, João da Baiana, que compunham sambas-maxixe, e como Chiquinha Gonzaga, que marcou a história da música, com seus hinos carnavalescos como o inesquecível “Ô Abre Alas”. As marchinhas inicialmente eram criadas por esses reconhecidos compositores, que eram remunerados pelas escolas de samba. Ao longo do tempo, elas foram substituídas pelos sambas-enredo. Mais tarde, o gênero ganhou estruturas modernizadas; sendo dois grupos fundamentais para essa nova “cara” que o samba estava ganhando: os grupos carnavalescos dos bairros Estácio de Sá e os do bairro Osvaldo Cruz, com compositores dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos." 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

SAMBA DE RODA





O samba de roda é um estilo musical popular brasileiro. Trata-se de uma variante do samba com raízes africanas e que reúne diversas músicas, poesias e danças.

Origem

O samba de roda surgiu na Bahia no século XVII, embora seus primeiros registros datam de 1860. Hoje, ele é patrimônio e herança cultural da cultura afro-brasileira.                                                                                              Esse estilo está intimamente relacionado com a capoeira, que envolve música e lutas, e aos orixás, entidades espirituais africanas.                                      Atualmente, essa manifestação artística está presente em todas as partes do Brasil. Na Bahia, é no Recôncavo baiano que esse ritmo é mais popular. Isso porque essa região foi palco da chegada de escravos africanos.                      Apesar de ser baseado nas tradições africanas, ele também envolve alguns aspectos da cultura portuguesa. Como exemplo, temos o uso de alguns instrumentos, como a viola, e ainda, as letras das músicas, as quais são cantadas em português.
Curiosidade
O samba surgiu de um estilo musical africano o semba, que foi trazido para o Brasil com a chegada dos escravos angolanos.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A ORIGEM DO SAMBA




A origem do samba: entenda como nasceu um dos batuques mais populares no Brasil

O samba é um ritmo que diz muito sobre parte da nossa cultura e isso não é novidade. Mas entre todos os batuques e a dança que tanto agitam as festas e os carnavais, existe uma história muito rica e forte!
É por conta disso que a Fm Hits resolveu contar um pouquinho para você sobre a origem do samba, confira:
Foi misturando ritmos africanos e muita resistência que o samba surgiu na Bahia, séculos atrás, mas foi só no Rio de Janeiro, em que ele se tornou um gênero musical mais conhecido e aprimorado, com instrumentos de corda (como o cavaquinho) e de percussão (como o pandeiro).

Do preconceito à popularidade

E nem tudo foi fácil para o samba. Na década de 20 a 40 mais ou menos, o samba era desprezado pela sociedade por ser considerada música negra, então foi um gênero musical de muita luta para ter a popularidade que tem hoje.
Além de ajudar a enfrentar os preconceitos do samba, os artistas que foram aparecendo dentro desse gênero musical também foram reformulando o estilo e criando os seus próprios ritmos, que originaram os vários tipos de samba.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A ORIGEM DO SAMBA


                                                                                                                                 Leitura Carybé

O samba é uma dança e um gênero musical considerado um dos elementos mais representativos da cultura popular brasileira existente em várias partes do país.
Dependendo do tipo de samba, a música é feita com o violão, viola ou cavaquinho acompanhado de instrumentos de percussão (atabaque, berimbau, chocalho e pandeiro).

Você Sabia?
O Dia Nacional do Samba é comemorado a 2 de dezembro.

História do Samba no Brasil
O samba foi introduzido no Brasil no período colonial pelos escravos africanos sendo portanto um estilo que provém da fusão entre as culturas africana e brasileira.
Inicialmente, as festas de danças dos negros escravos na Bahia eram chamadas de "samba". A manifestação durante muito tempo foi considerada um estilo de música e dança criminalizado e visto com preconceito, devido às suas origens negras.

Em 1917 foi gravado no Brasil o primeiro samba com o título: "Pelo Telefone", com letra de Mauro de Almeida e Donga, cantado por Bahiano.
Há controvérsias sobre a origem da palavra "samba", mas provavelmente advém do termo africano "semba" que significa "umbigada".
O samba está presente em todas as regiões brasileiras, modificando-se conforme o local, sendo que os mais conhecidos são:
Samba da Bahia
Samba Carioca (Rio de Janeiro)
Samba Paulista (São Paulo)
Assim, dependendo do Estado modificam-se os ritmos, as letras, o estilo de dançar e até mesmo os instrumentos que acompanham a melodia.
Com o passar do tempo, o samba foi conquistando o público em geral e adquirindo um lugar de destaque entre os principais elementos da identidade cultural brasileira.

Para saber mais leia:

Principais Tipos de Samba
Samba de roda: o samba de roda está associado à capoeira e ao culto dos orixás. Essa variante de samba surgiu no Estado da Bahia no século XIX, caracterizado por palmas e cantos, no qual os dançarinos bailam dentro de uma roda.
Samba-enredo: associado ao tema das escolas de samba, o samba-enredo é caracterizado por apresentar canções com temáticas de caráter histórico, social ou cultural. Essa variante de samba, surgiu no Rio de Janeiro na década de 30 com o desfile das escolas de samba.
Samba-canção: chamado também de "samba de meio de ano", o samba canção surge na década de 20 no Rio de Janeiro e se populariza no Brasil nas décadas de 1950 e 1960. Esse estilo é caracterizado por músicas românticas e ritmos mais lentos.
Samba-exaltação: o marco inicial desse estilo de samba é a música "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso (1903-1964), lançada no ano de 1939. Caracterizado por letras que apresentam temas patrióticos e ufanistas.
Samba de gafieira: Esse estilo de samba é derivado do maxixe e surgiu na década de 40. O samba de gafieira é uma dança de salão cujo homem conduz a mulher acompanhados por uma orquestra com ritmo acelerado.
Pagode: Essa variante do samba surgiu no Rio de Janeiro na década de 70, a partir da tradição das rodas de samba. Caracterizado por um ritmo repetitivo com instrumentos de percussão acompanhados de sons eletrônicos.
Obs: Outras variantes do samba são: samba de breque, samba de partido alto, samba raiz, samba-choro, samba-sincopado, samba-carnavalesco, sambalanço, samba rock, samba-reggae e bossa nova. 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O CARNAVAL


Carnaval foi pioneiro em dar visibilidade à cultura negra, defende pesquisa
  
Professores e alunos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) corroboram, por meio de pesquisas e análises, a transfiguração do Carnaval de uma festa introduzida no Brasil por europeus em uma das mais fortes manifestações da identidade cultural do país. A celebração foi uma das primeiras a dar visibilidade à cultura afro-brasileira e atualmente se depara com o desafio de manter a espontaneidade diante dos holofotes da mídia, do marketing e do turismo.

O Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFJF desenvolve pesquisa, por meio do estudante do mestrado Rafael Rezende e da professora Teresa Neves, sobre as formas com que a cultura negra influencia o carnaval brasileiro e como ela é representada na festa ao longo dos últimos 50 anos. “O estudo busca perceber se e como a representação da cultura negra é alterada no decorrer do tempo, conforme o contexto histórico. A dissertação também se propõe a verificar se os aspectos dionísicos e apolíneos, relacionados ao enebriante, à espontaneidade, são mantidos em um espetáculo tão midiaticamente produzido”, afirma Teresa. Na mitologia grega, o deus Dionísio é associado à festa, ao vinho e ao bacanal, enquanto Apolo está vinculado ao Sol, à inspiração artística, à beleza e à liderança de musas.
“O carnaval é um reflexo das muitas referências culturais dos povos que chegaram ao Brasil. Elas se combinaram de variadas formas, a ponto de se tornar um produto original”, avalia Rezende. As festividades carnavalescas, importadas da Europa, contam com dança e sonoridade essencialmente negras no seu estabelecimento no Brasil. “A maior contribuição do negro nesse processo creio ter sido na elaboração de gêneros musicais apropriados para a folia, como o samba, o samba-enredo, o maracatu, o afoxé e o axé”, pontua. “Os negros ainda participaram ativamente das várias modalidades da festa, criando os cordões, as escolas de samba e muitos blocos famosos, além da temática negra ser comumente explorada nos enredos das escolas de samba.”

A festa ainda torna-se instrumento de resistência e celebração de ícones culturais que, em demais veículos de representação, são neglicenciados. “O carnaval contribuiu decisivamente para levar ao conhecimento da população a existência e a importância de nomes como Zumbi dos Palmares, Chico Rei e Chica da Silva, na época em que estes personagens eram ignorados pela ‘história oficial’ apresentada nos livros escolares”, exemplifica Rezende.

O carnaval permanece relevante para a cultura negra, ao mantê-la viva e ativa nas celebrações. “Nelas o negro é protagonista”, afirma Rezende. “O carnaval é uma possibilidade de ele se enxergar positivamente, ter orgulho de si, além de oferecer conhecimento e, com isso, desfazer preconceitos por meio de enredos que o represente, principalmente no que se refere à religiosidade, alvo constante de manifestação de intolerância. Então, pelas vias culturais, ele pode encontrar o espaço que ainda lhe é negado.”

“Ao juntar, em clima de descontração pessoas das mais variadas idades, situações econômicas e culturas, o carnaval se torna um espaço de intenso diálogo e negociador das tensões sociais que perpassam as relações no dia-a-dia das cidades”, conclui o mestrando.

Brasil como fonte

Professor do curso de Turismo da UFJF e doutor em sociologia pela universidade francesa Paris Descartes, Marcelo do Carmo, dedica-se ao estudo de efervescências culturais. “O carnaval já está arraigado na cultura brasileira. Embora tenha sido trazido para cá por meio da colonização europeia, os contornos brasileiros se reforçaram em nossas festas, principalmente no fim do século 19 e durante o século 20. Atualmente são os outros países que bebem da fonte do Brasil.”

Nos primórdios da sua história no Brasil, o carnaval foi uma herança trazida pelos portugueses, manifestado principalmente na comemoração chamada de “entrudo”, pela qual eram promovidas brincadeiras como jogar farinha, tinta e água nas pessoas. A festa, no entanto, não passou imaculada pela cultura brasileira e foi influenciada pelos folclores indígena e africano, incorporado pelos escravos. A variedade da festividade é observada até hoje em várias regiões do país.
“Embora já observemos traços midiáticos no carnaval, que também se promove como oportunidade de marketing e turismo, não tem como desvincular as representações culturais da festa. E ela não deixa de refletir a cultura do povo”, atesta o pesquisador. “Observei isso principalmente durante período que passei acompanhando ‘O homem da meia-noite’, na cidade de Olinda”, relembra Carmo, referindo-se ao bloco tradicional nordestino, baseado em lenda folclórica da região. “O carnaval é democrático e vai carregar sempre a identidade cultural brasileira.”


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O ARTISTA JEAN-MICHEL BASQUIAT

Como Jean-Michel Basquiat ultrapassou o limite do que é ser um artista norte-americano

             Seu legado ultrapassa de longe os números recordes                             em leilões de arte.


Jean-Michel Basquiat, saudado como o primeiro artista negro famoso a abrir caminho no mundo predominantemente branco das galerias de arte de Nova York, fez história há duas semanas quando um quadro seu foi vendido pelo incrível valor de US$110,5 milhões.
Após a venda, que foi um recorde para a casa de leilões Sotheby's, Basquiat (que morreu em agosto de 1988, aos 27 anos e no meio de uma carreira meteórica) tornou-se oficialmente o artista americano cujo trabalho alcançou opreço mais alto em um leilão de arte.
Nascido no Brooklyn, Nova York, em 1960, Basquiat é descrito com frequência em termos do que foi e do que conseguiu se tornar, muito antes de ter "destronado" Andy Warhol para tornar-se o criador da arte que, de fato, tem a cara do que é a América.
"Como um jovem grafiteiro rebelde passou de vender desenhos por 50 dólares em 1980 a ter uma pintura leiloada esta semana por impressionantes 60 milhões de dólares?", indagou o New York Times antes do leilão em 18 de maio.
Mesmo quando Basquiat ainda era vivo, críticos se surpreendiam com sua ascensão da condição de sem-teto e desempregado para o status de celebridade inacreditável, vendendo telas individuais por valores muito baixos aos 24 anos. Basquiat falava abertamente de seu passado traumático, da violência doméstica que sofreu na infância por parte de seu pai, que era haitiano, e das crises de doença mental de sua mãe, porto-riquenha. Ele entrou em contato com a arte e com línguas estrangeiras quando ainda era criança (falava francês, espanhol e inglês com fluência) e demonstrava grande habilidade em ambas, mas na adolescência fugiu de casa e abandonou a escola secundária.
Basquiat vendia camisetas e cartões postais na rua, pouco antes de ele e um amigo adotarem o pseudônimo artístico SAMO e espalharem seus grafites pelo SoHo, um bairro cheio de galerias de arte e galeristas cuja atenção queriam chamar, em Nova York. Desse modo, Basquiat se tornou conhecido: ele colocou sua arte em evidência, para que fosse impossível deixar de vê-la.
e pintou sua tela de US$110,5 milhões quando tinha apenas 22 anos. Nessa época, já havia pichado "SAMO JÁ MORREU" numa parede da baixa Manhattan, anunciando o fim da colaboração que chamou a atenção de Nova York. Basquiat já havia passado a ter contato direto com artistas, escritores e outras celebridades da época ― Andy Warhol, o apresentador do programa de TV "TV Party" Glenn O'Brien, Blondie, David Bowie, o marchand Larry Gagosian. Ele já levara seus trabalhos explosivos a galerias em mostras solo aclamadas pela crítica – uma fusão punk de neo-expressionismo e primitivismo, com cores fortes, pinceladas maníacas e rostos e corpos esqueletais. Sua arte (milhares de pinturas e desenhos), suas palavras, seu corpo, até mesmo seu cabelo, em pouco tempo passaram a integrar os próprios alicerces da cultura pop da época.
Glenn O'Brien, que escreveu o roteiro do filme Downtown 81, estrelado por Basquiat, colocou a popularidade do artista em perspectiva: "Basquiat tem tantos fãs quanto Bob Marley".
Sua ascensão ao estrelato artístico foi rápida, mas hoje, décadas após sua morte, seu legado é ainda maior; o impacto inegável que ele teve sobre o mundo das artes é muito mais impressionante que sua habilidade em infiltrar nesse mundo rapidamente. Em seus poucos anos de ação, Basquiat trabalhou incansavelmente, fazendo performances, networking e arte, para mostrar sua visão ao mundo –uma visão que incluía a condenação do passado racista dos EUA e a história de brutalidade policial do país, além da celebração de heróis negros e de eventos que, de outro modo, estariam ausentes das paredes de galerias. Basquiat utilizava materiais recuperados e técnicas de grafitagem para inserir a política nesses espaços impecáveis.
Um trabalho em particular, "Defacement (The Death of Michael Stewart)" (Desfiguramento [A morte de Michael Stewart]), registrou a morte de um grafiteiro negro espancado por policiais de Nova York até morrer. "Poderia ter sido eu", disse Basquiat, em frase que reverbera hoje. "Poderia ter sido eu."