sábado, 19 de agosto de 2017


Cara e Cultura Negra é um programa de ações anuais que visa a promoção e preservação da identidade  cultural, social e econômica resultante da influência da  raça negra na construção da sociedade brasileira, e  potencializar a participação dessa população no processo de desenvolvimento, a partir de sua história e sua cultura.


Criado durante as festividades do 20 de novembro, desde 2003, o Festival Cara e Cultura Negra vem se transformando numa referência obrigatória no cenário das celebrações do Dia Nacional da Consciência Negra, em Brasília, tornando-se um relevante ‘espaço’ para esse grupo étnico, seja de preservação da cultura afro brasileira ou de fomento ao turismo étnico, seja de mobilização social ou de geração de empregos e , principalmente, de consolidação da cidade como mais um pólo da cultura negra no país.

O Festival de Arte e Cultura Negra de Brasília é um evento dedicado à história, cultura e arte negra que ocorre anualmente em Brasília, reunindo representantes da cultura afro-brasileira e empreendedores de Brasília e de todo o Brasil. Teatro,  musica, dança, debates, exposições consagrando a presença da cultura negra no Brasil.

Em  2014 apresentará o Tema : “ÁFRICAS INVISÍVEIS”, mostrando o quanto a África está presente em nosso viver e não percebemos. No falar, no vestir, na gastronomia, nas festas populares,religiosidade. Traz um olhar sobre a influência africana no cotidiano do brasileiro.
Trata-se de uma exposição temática, com entrada franca, onde serão apresentadas algumas das principais marcas da cultura afro-brasileira, enfatizando a sua contribuição para a construção da identidade de nossa nação, por meio da apresentação de manifestações artísticas e folclóricas, assim como a sua história, culinária, literatura, arquitetura, tradições e filosofias que figuram o mantenimento de manifestações sociais perpetuadas pela tradição oral e pela memória corporal.

O principal objetivo do Festival Cara e Cultura Negra  é divulgar a cultura negra nos mais diversos aspectos, mostrando todas as suas potencialidades características, culturais, religiosas e artísticas. 

É um projeto destinado a toda a sociedade, de todas as idades, principalmente crianças e adolescentes, de todas as etnias, numa Perspectiva afirmativa de potencializar a diversidade existente no Brasil, país que, segundo dados do IBGE (2001), tem metade de sua população negra.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Interconexões :: começa dia 21 de agosto



  
Uma grande programação cultural começa nesta segunda-feira, 21 de agosto, e segue até 30 de novembro para marcar o aniversário de 29 anos da Fundação Cultural Palmares – que acontece nesta terça, dia 22 – e as comemorações de 55 anos da Universidade de Brasília. As duas instituições promovem o evento Interconexões, com oficinas, seminários, mostra de cinema e apresentações artísticas.
A abertura será às 14h, no Anfiteatro da Saúde, no Campus Darcy Ribeiro da UnB. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira, participa da cerimônia, que também reunirá representantes  representantes da Universidade de Brasília, do Ministério da Cultura (MinC) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Outra convidada é a professora Edileuza Penha de Souza, doutora em Educação pela UnB e especialista em Cinema.
Após a abertura, começa o I Encontro de Cineastas e Produtoras Negras – Mostra de Cinema Negro, Debates e Sessões, com a exibição do filme Alma no Olho, clássico brasileiro dirigido por Zózimo Bulbul. Em seguida, haverá um debate com as presenças da professoras Edileuza Penha de Souza, da figurinista Biza Vianna, viúva de Zózimo Bulbul, e das cineastas Viviane Ferreira e Flora Egécia.
Na terça-feira (22), o Interconexões traz o Seminário Estado, Racismo e Violências, com palestras e debates, das 9h às 17h, no Instituto de Biologia da UnB. O presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira, também comparecerá ao evento junto com especialistas no tema de outras instituições.
Mostra competitiva
Também na terça, no Centro de Convivência Negra, de 9h às 12h, a professora Marisol de Paula Reis dá o mini-curso de Produção Cinematográfica, dentro do I Encontro de Cineastas e Produtoras Negras – Mostra de Cinema Negro. Às 14h, na mesma programação, na Faculdade de Comunicação, será realizada a palestra com debate As Mulheres Negras frente ao Mercado e Política do Audiovisual, com as cineastas Kenia Freitas e Viviane Ferreira.
Também como parte do Encontro, de 17h às 21h, na terça, quarta (23) e quinta (24), acontecerá a Mostra de Filmes Competitivos, com 19 produções, no Anfiteatro da Saúde. Os premiados serão conhecidos na tarde de sexta-feira (25) nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Edição. Antes do resultado, uma palestra e debate com a cineasta Adélia Sampaio, com a exibição do seu filme Amor Maldito.
Na quarta-feira, três eventos integram o Interconexões. De 9h às 12h,  no Centro de Convivência Negra, a professora Rose May Carneiro ministra o mini-curso de Fotografia. Às 14h, na Faculdade de Comunicação, haverá a palestra com debate Representação De Mulheres Negras no Cinema, com a pesquisadora de cinema e audiovisual Ceiça Ferreira e com a escritora Urânia Munzazu. Às 16h, no Beijódromo, no ICC Ala Sul, da UnB, começa a mesa de debate Literatura Negra Contemporânea, com as escritoras Cristiane Sobral, Custódia Wolney  e Calila das Mercês.
Na sexta-feira, 25 de agosto, a professora de Cinema Erika Bauer dá um mini-curso sobre Roteiro no Centro de Convivência Negra, das 9h às 12h. No mesmo horário, no Anfiteatro da Saúde, ocorre a Mostra Paralela com Escolas Públicas.
Veja a programação completa no link: https://www.facebook.com/InterconexoesFCPeUNB

sábado, 12 de agosto de 2017


Dia 13 de agosto, completam-se 31 anos da morte de uma das mais importantes líderes religiosas brasileiras: a iyalorixá Mãe Menininha do Gantois


Mãe Menininha defendia convivência pacífica das religiões


Neste domingo, dia 13 de agosto, completam-se 31 anos da morte de uma das mais importantes líderes religiosas brasileiras: a iyalorixá Mãe Menininha do Gantois.
Maria Escolástica da Conceição Nazaré nasceu em Salvador, no dia 10 de fevereiro de 1894, na Rua da Assembleia, no Centro Histórico da capital baiana. Filha do casal Joaquim e Maria da Glória, Maria Escolástica descendia de africanos. Ainda criança, a escolheram como iyalorixá do terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em meados do século 19 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré.
A religiosa ganhou o apelido de Menininha devido ao aspecto franzino. Em 1918, substituiu a madrinha, Mãe Pulchéria, que morreu, na função de iyalorixá do Terreiro do Gantois. A jovem foi a quarta líder do Terreiro e se transformou na mais famosa iyalorixá brasileira.
Mãe Menininha atuou como uma das principais responsáveis pelo fim da perseguição ao candomblé, que era inclusive legalizada. Até então, exigia-se autorização policial para funcionamento dos terreiros e as cerimônias deveriam acabar às 22h.
A líder espiritual também abriu as portas do Gantois para brancos e católicos. Mãe Menininha pregava a boa convivência entre as diversas crenças. Frequentava a missa e até convenceu os bispos baianos a permitirem a entrada nas igrejas de mulheres vestidas com as roupas do candomblé.
Aos 29 anos, Menininha casou-se com o advogado Álvaro MacDowell de Oliveira, com quem teve duas filhas, Cleusa e Carmem. Personalidade de carisma, Mãe Menininha era querida pelos artistas. Dorival Caymmi a homenageou com a canção Oração de Mãe Menininha, que virou sucesso em uma gravação de Gal Costa com Maria Bethânia.
Em 1976, a escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou no Carnaval com o enredo Mãe Menininha do Gantois, composto pelo carnavalesco Arlindo Rodrigues e interpretado por Elza Soares e Ney Vianna.
Mãe Menininha do Gantois morreu em Salvador, em 1986, de causas naturais, aos 92 anos de idade.
Fonte: http://www.palmares.gov.br

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS NEGRAS NO BRASIL

                      Tambor de Crioula do Maranhão

O Tambor de Crioula do Maranhão é uma forma de expressão de matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Seja ao ar livre, nas praças, no interior de terreiros, ou associado a outros eventos e manifestações, é realizado sem local específico ou calendário pré-fixado e praticado especialmente em louvor a São Benedito. Essa manifestação afro-brasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coreiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite.
Inscrito no Livro das Formas de Expressão, em 2007, esse bem imaterial inclui-se entre as expressões do que se convencionou chamar de samba, derivadas, originalmente, do batuque, assim como o jongo no Sudeste, o samba de roda do Recôncavo Baiano, o coco no Nordeste e algumas modalidades do samba carioca. Além de sua origem comum, constatam-se, entre essas expressões do samba, traços convergentes na polirritmia dos tambores, no ritmo sincopado, nos principais movimentos coreográficos e na umbigada.
Praticado livremente, seja como divertimento ou em devoção a São Benedito, o Tambor de Crioula não tem local definido, nem época fixa de apresentação, embora se observe uma maior ocorrência desse evento durante o Carnaval e nas manifestações de Bumba-meu-boi. Trata-se de um referencial de identidade e resistência cultural dos negros maranhenses, que compartilham um passado comum. Os elementos rituais do Tambor permanecem vivos e presentes, propiciando o exercício dos vínculos de pertencimento e a reiteração de valores culturais afro-brasileiros.
A dança do tambor de Crioula, normalmente executada só pelas mulheres, apresenta coreografia bastante livre e variada. Uma dançante de cada vez, faz evoluções diante dos tambozeiros, enquanto as demais, completando a roda entre tocadores e cantadores, fazem pequenos movimentos para a esquerda e a direita; esperando a vez de receber a punga e ir substituir a que está no meio. A punga é dada geralmente no abdômen, no tórax, ou passada com as mãos, numa espécie de cumprimento. Quando a coreira que está dançando quer ser substituída, vai em direção a uma companheira e aplica-lhe a punga. A que recebe, vai ao centro e dança para cada um dos tocadores, requebrando-se em frente do tambor grande, do meião e o pequeno, e repete tudo de novo até procurar uma substituta.


                                                                                                                                                                  Fotos EDGAR ROCHA

    FONTE: http://portal.iphan.gov.br

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Projeto para público infantil renova tradição oral

Projeto para público infantil renova tradição oral


Com nove anos de existência, o projeto itinerante Caçando Histórias promove espetáculos com atividades lúdicas e narrativas afro-brasileiras para o público infantil. A ideia vem de Kemla Baptista, pedagoga pernambucana que viveu um período no Rio de Janeiro. Kemla é uma equede, nome dado no candomblé ao posto de “zeladora dos orixás”.
As apresentações têm como objetivo difundir a cultura afro-brasileira. O trabalho permite que as crianças tenham contato com obras e contos clássicos de tradições de origem africana. A musicalidade também é desenvolvida por meio da inclusão de ritmos como o samba, o jongo e o maracatu.  Após os espetáculos, acontecem atividades em grupos com base em técnicas de arte-terapia e ligadas à dança e expressão corporal.
O projeto começou entre as crianças de axé nas comunidades de terreiro no Rio de Janeiro. Hoje também ocorrem oficinas em escolas, organizações não-governamentais e espaços públicos. Kemla está agora em Pernambuco e nessa nova temporada propõe, por meio dos contos míticos, o encontro das tradições do candomblé Ketu com a tradição Nagô Egbá, tão forte no estado. O local que vai acolher a temporada é o Ilê Axé Orixalá Talabí, terreiro reconhecido como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), situado no município de Paulista, na região metropolitana de Recife.
Convivência
Kemla conta que toda a programação é construída após um período de convivência com a comunidade que vai receber os espetáculos. “No caso dos terreiros, buscamos reverenciar o orixá que fundou a casa e adequar o tema da apresentação ao calendário religioso”, explica a pedagoga.
A iniciativa constitui uma ferramenta à disposição das escolas para o cumprimento da Lei nº 10.639, de 2003, que estabelece diretrizes e bases da educação nacional. Essa legislação incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”.
Na opinião da pedagoga, as oficinas se mostram eficientes em ajudar crianças e adolescentes a canalizarem suas emoções, despertando o lado criativo. Kemla informa que essa característica permitiu que o Caçando Estórias alcançasse excelentes resultados com crianças em situação de vulnerabilidade social, em comunidades como as do Complexo da Maré e Complexo do Alemão.
Quem quiser acompanhar o Caçando Estóriaspode procurar nas redes sociais. Nelas, Kemla dá sugestões semanalmente de livros da literatura infanto-juvenil, músicas e propostas de atividades lúdicas para realizar em casa ou na escola.
Fonte: Fundação Cultural Palmares