domingo, 27 de dezembro de 2009

BARRO,VENTO e SOL


                                                                                                                                    ARQUITETURA DOGON

Raízes de uma arquitetura africana

Exposição baseada no texto de mesmo nome do arquiteto venezuelano
GONZALO VÉLES JAHN




‘A filosofia e o conhecimento prático (know how) dos construtores anônimos oferecem a maior fonte de absorção potencial de inspiração arquitetônica para o Homem Industrial’.


Bernard Rudofsky (1964)


A trabalho ora exposto é o início de uma pesquisa que visa apresentar um número de ‘notáveis e contrastantes exemplos de arquitetura popular africana’. ‘E de promover também um interesse pela revisão e aprofundamento do assunto em questão pensado como transposição de experiências’.

Com tal finalidade nos concentraremos inicialmente naquela região do continente africano identificada administrativamente como África do Oeste – África Ocidental, mas precisamente em Mali, berço da arquitetura de barro.

‘A arquitetura tradicional africana se assenta em um amplo espectro do edificado: desde o efêmero de suas etéreas construções nômades, sempre em movimento como o vento inclemente do qual em vão tentam escapar, até a inamovível perpetuidade de suas pirâmides ancoradas estoicamente sob o calcinante sol do deserto. A luta do ser humano para se instalar em um meio que só o aceita com reticência guarda uma admirável identificação com uma dessas sagas que surgem periodicamente no desenvolvimento da humanidade contra toda argumentação cínica, contra toda judiciosa cautela, contra todo raciocínio antecipador. Uma saga de múltiplas respostas formais expressa em uma gama que se estende desde as soberbas cidades de pedra de Mauritânia e Zanzibar, o milenar patrimônio egípcio, os castelos líbios ou as igrejas subterrâneas etíopes até as maravilhosas criações contrastantes surgidas do uso do humilde barro combinado com outros materiais locais disponíveis, predominantemente de origem vegetal. E é precisamente na divulgação desta última combinação que o presente artigo estará dirigindo sua atenção.

‘Para os arquitetos, as raízes da arquitetura vernácula africana representam uma fonte inesgotável de inspiração amparada na força de sua expressão criativa e autêntica que nunca deixou de maravilhar e de servir de exemplo a muitos de nós: arquitetos como Gaudí, Corbusier, Barragán, e mais recentemente Gehry, entre outros, expressam através de seu pensamento e|ou de suas obras um reconhecimento à importância e à influência deste movimento excepcional na evolução da arquitetura’.


Gonzalo Vélez Jahn é arquiteto e professor, Laboratório de Técnicas Avançadas em Desenho, Escola de Arquitetura Carlos Raúl Villanueva. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Central da Venezuela, Caracas.




Mali e o berço da arquitetura de barro

Mali ancestral! Terra de céu azul e sol ardente, de absurdos baobás e de gigantescos ninhos de isópteros que de alguma maneira se oferecem à nossa imaginação como fontes de possibilidades, inspiração inconsciente para os anônimos construtores do barro...

Livros completos poderão ser escritos sobre as fascinantes variações que esta arquitetura escultórica e esplêndida na liberdade de suas formas nos oferece em suas diferentes manifestações. Aqui mostramos tão somente uma amostra de tal profusão’.

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