sábado, 16 de janeiro de 2010

DIÁSPORA AFRICANA

DIÁSPORA, do grego
διασπορά significa dispersão.
Deslocamento forçado
ou incentivado de
grandes massas populacionais
originárias de uma zona
determinada para
várias áreas de
acolhimento distintas.

Diáspora Africana
Travessiasfemininas
Passado&Presente


Mulheres Negras Mulheres, dos porões
dos navios negreiros, da Casa Grande
e Senzala,
do trabalho escravo, da resistência
nas favelas e periferias brasileiras,
são poetisas e artistas,
 são parteiras, enfermeiras
 e médicas,
são professoras, militantes
e simpatizantes.



Ah! mulheres negras
essas impressionantes
sempre a importar a mais funda ancestralidade!
Ah! mulheres, úteros de verdades
tamanhas!
Geração de vida permanente
junto ao silêncio da profusão de cores das formas de vida!
Ah! mulheres-esteio! Sois marcas do fundamento da humanidade
desde África
se espraiando por um planeta sem sentido
onde dar depende do que se tem de volta!
Ah, essas mulheres, essas negras
veludos de conforto e aflição.
Ah! mulheres, velhas mulheres negras
portando a sabedoria do porvir
que não perdoa
aqueles que não se fazem irmãos!!!

Mulheres negras
Ana Maria Felippe
2006



                                                                                                                           Foto OSWALDO PIERONI

IsisCANDACESCleopatraRainhaN’ZinhaRainhaYaaAsantewaaWANGARIMATHAI AqualtuneDandaraMÃEPRETAAdelinaTiaCiataSueliCarneiroCHICADASILVA CLEMENTINADEJESUSMariaFirminadosReisLELIAGONZALES


A antiga civilização africana contou com mulheres soberanas e propiciou a partilha do poder entre os sexos. A Mãe África foi e ainda é a fonte dessa força feminina guerreira.
Em solos brasileiros essas guerreiras continuam mostrando sua força. São enfermeiras, professoras,poetisas,mãe de santo, donas de casa, são mulheres brasileiras.

A DIÁSPORA AFRICANA, presente em todos os cantos do mundo, representa parte fundamental do patrimônio cultural e político africano e dos países de acolhimento e mantém viva a consciência de suas origens;


Realizado no ano de 2008  , na cidade de Brasília, o projeto Diáspora Africana – Travessias femininas – Passado e Presente capacitou e inseriu mulheres afro-descendentes no mercado de trabalho. Palestras cursos e oficinas foram realizados. A programação contou ainda com uma bela exposição de painéis e fotografias, apresentando a trajetória da mulher negra desde a África até os dias de hoje no Brasil, mostrando suas relações sócio-culturais-econômicas, enfatizando a participação da mulher na construção da sociedade e identidade de nossa nação.



Cada mulher negra traz, dentro dela, uma história de experiência sócio-comunitária originária, por isso, ao falar do passado e presente das mulheres negras, é propor um olhar singular, de um lugar que, para muitos e muitas, é desconhecido e distinto. É escrever com a raça e a determinação da mulher negra a trajetória dessa história que ficou por muito tempo na invisibilidade.

Breve histórico ::
Algumas das sociedades mais adiantadas e altamente organizadas da história, como as do Egito e a do império de Gana se caracterizavam pela matrilinearidade, aquela em que a ancestralidade é traçada a partir da mãe e, ao contrário das sociedades patriarcais, a mulher exerce direitos como o de herdar e ser proprietária. Nelas, a mulher protagonizava a organização jurídica, econômica, social e política.

No caso do Egito antigo, a partilha do poder no âmbito político e religioso vem desde os tempos míticos. O primeiro soberano e deus, Osíris, governa em conjunto com sua irmã Ísis, dona do conhecimento da agricultura que o transmitiu à humanidade.

Assassinado, Osíris vê seu corpo despedaçado e os pedaços espalhados pelos quatro cantos do mundo. Ísis reconstitui o corpo do irmão e o ressuscita. Ela ensina ao povo a filosofia do Ma’at - justiça, verdade e direito, matriz ética da nação.

As mulheres governantes são várias no Egito e na África. Cleópatra defendeu a soberania de sue país frente ao maior poder imperialista que o mundo conhecera.



As rainhas-mães africanas se estabelecem na antiga Núbia com a linhagem das Candaces, que reinavam por direito próprio e não na qualidade de esposas, exercendo o poder civil e militar.

Angola nos dá o exemplo da Rainha N’Zinga, contemporânea de Zumbi que resistiu aos dominadores portugueses e holandeses.

Gana se orgulha da rainha Yaa Asantewaa, que liderou a guerra dos Asante contra o domínio inglês. Esses exemplos confirmam uma tradição que nasce de profundas raízes histórico-culturais: o sistema social e político matrilinear que define, nos seus primórdios, o ambiente social africano.

Aí está a origem histórica da mulher negra brasileira. A mulher afro- brasileira, herdeira deste legado cultural, traz dentro da sua história a história de ancestralidade, de suas bisavós, avós, mães, irmãs e familiares.



Dos porões dos navios negreiros, da Casa Grande e Senzala, do trabalho escravo, da resistência nas favelas e periferias brasileiras, são poetisas e artistas, são parteiras, enfermeiras e médicas, são professoras, militantes e simpatizantes.

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